terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O biólogo e a biossegurança

Ricardo B. Marques
Biólogo
Consultor Técnico Federal em Meio Ambiente
Consultor-perito em Biossegurança e Biologia Forense



A biossegurança tem sido uma área das ciências biológicas que mais tem despertado a atenção e o interesse da sociedade, em campos tão diversificados quanto o governamental, a iniciativa privada e o acadêmico.

A razão é que, nos últimos anos, avolumam-se as atividades humanas que, representando riscos consideráveis em matéria de biossegurança, demandam profissionais que conheçam o assunto e saibam lidar com o controle dessas atividades, com a prevenção de riscos e, é claro, com ações que visem solucionar problemas ocorridos nessa área.

A biossegurança já era imprescindível há tempos, face à existência de atividades desenvolvidas em hospitais, clínicas, laboratórios, criatórios de animais, unidades radiológicas etc., as quais lidam com elementos contaminantes (microrganismos, produtos tóxicos, radiações e outros), que, ausentes de rígidos mecanismos de controle e prevenção, podem por em risco a vida humana e o meio ambiente. Em se negligenciando a biossegurança, um simples erro pode gerar um impacto cuja extensão pode variar de restrita e localizada, até proporções catastróficas de uma pandemia, por exemplo.

Em acréscimo, o advento da biotecnologia e da engenharia genética lançou o homem numa era onde práticas envolvendo riscos em biossegurança crescem num ritmo frenético. Em poucos anos pôde-se assistir à intensificação de atividades onde a manipulação de organismos e de seus genes virou rotina. Contudo, enquanto os biólogos aprendem a alterar seres vivos e submetê-los a serviço da humanidade, junto vem o “efeito colateral”, isto é, os riscos inerentes – afinal, o que conhecemos sobre os genes ainda é pouco para que tenhamos qualquer garantia de que não haja conseqüências indesejáveis. Revoluções como a dos transgênicos, ao mesmo tempo em que nos brinda com aplicações tentadoras, nos remete a um patamar de riscos onde nenhuma preocupação deveria ser considerada exagero. É em situações assim que a biossegurança torna-se uma área a cada dia mais necessitada de bons profissionais.

A guerra biológica e o bioterrorismo, que existem há décadas – há relatos concretos de uso de armas biológicas na Segunda Guerra Mundial, por exemplo – assumem hoje ares de chocante realidade. Mais uma vez, o profissional de biossegurança torna-se imprescindível, até mesmo como coadjuvante na análise de cenários que possam implicar em bioterrorismo e/ou guerra biológica.

A biossegurança é uma das muitas áreas em que o biólogo pode se qualificar. Aliás, é o biólogo o profissional mais indicado para atender à crescente demanda sobre a qual nos referimos. Trata-se de uma área é bastante ampla, e o biólogo pode atuar como técnico e/ou perito-consultor, em diversos segmentos de atividades, como:

Unidades radiológicas
Laboratórios de análises clínicas
Hospitais
Laboratórios de universidades e centros de pesquisa
Criatórios de animais
Empresas de biotecnologia e engenharia genética
Forças policiais e agências de governo que lidam com bioterrorismo
Meio ambiente
Outras

No primeiro caso (técnico), ele seria o responsável técnico (de preferência com TRT do CFB*) pela biossegurança nos citados segmentos; no segundo caso (perito-consultor), ele seria contratado pelos ditos segmentos, ou por órgãos e/ou empresas interessados, para realizar avaliações periciais, laudos, projetos, relatórios etc., quanto ao status de biossegurança do estabelecimento e/ou da atividade, de acordo com a legislação e as rigorosas exigências para o setor.

No Brasil, a biopirataria, as polêmicas sobre assuntos como os transgênicos, as células-tronco e a clonagem, têm servido de catapulta para a formulação de políticas públicas que regulam a biossegurança. Não obstante o fato de que algumas decisões nessa área serem questionáveis, podemos considerar um avanço o simples fato de estarmos saindo da inércia em assunto tão importante.

Ao biólogo, abre-se um novo mundo de oportunidades – e de conhecimento.


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(*) TRT – Termo de Responsabilidade Técnica / CFB – Conselho Federal de Biologia.

© Ricardo B. Marques (artigo produzido em 10/2001; adaptado em 11/2005).

2 comentários:

ULTIMATE MARTIAL ARTS SYSTEM disse...

Quero expressar minha eterna gratidão e respeito á pessoa do Ricardo Marques e sua família,onde sempre se mostrou meu irmão,conselheiro e até pai,sem falar que grande amigo. Uma pessoa altamente equilibrada sobre a vida e sobre seus fatos,inteligente e sábio e que tem ajudado muita gente a compreender as maravilhas de Deus. Só tenho a agardeçer amigo pela sua existência.

jascalves disse...

Olá!
Ouvi a sua participação na FM universitaria e queria expressar a minha gratidão a Deus pela sua vida e ministério.
Grande Abraço;
Sou um dos pastores da Igreja Biblica Batista do Planalto - Fortaleza e Amigo do Dr. Ze Maria Nascimento